O cantar em Caetanear
- 17 de jun. de 2021
- 2 min de leitura

Não tenho aqui a intenção de relatar um conjunto sistemático de regras sobre o canto na cena. Mas sim de pensar aspectos do revelar da voz coletiva, enquanto canto, fala e sonoridade em meio as cenas do espetáculo Caetanear do Teatro da Pedra.
Pois bem, começo então, por um texto criado por mim durante esse processo e que inicia o espetáculo:
Entre os muros, as casas, os homens nascem os sons
Nos semáforos, nos portões, nos asfaltos vibram os acordes
Encontro uma criança, um velho, um moço, uma moça de batom, faz-se a melodia
A rua e a noite juntam - se em harmonia
A sina.
Os versos...inversos
Eis a canção
Intensa, sedenta por Caetanear.
Trouxemos para a construção do espetáculo a idéia de uma voz que ocupa um corpo que se movimenta pelo espaço. Há o mergulho na necessidade da palavra, falada e cantada de maneira expressiva e potente. Daí a busca pelo treinamento vocal e corporal voltados para o espaço que pretendíamos atuar, a rua. Para cada palavra presente, um corpo presente. Uma voz que, como fonte de energia sonora, pudesse repercutir sobre a sensibilidade dos atores e da plateia, durante a apresentação do espetáculo.
Penso aqui, que esse processo vem pela necessidade da voz dos artistas do Teatro da Pedra em manifestar-se de forma melódica, presente e aberta pelos cantos de cada rua que passou. Sim meus senhores, leitores, me desculpe a falta de modéstia, mas não foram poucas. As notas vividas nas músicas do Caetano Veloso e as emoções do espetáculo percorreram belas arquiteturas de Minas Gerais.
Pontuo que a peça era sempre acompanhada por uma platéia atenta e muitas vezes ao longo das cenas se formava uma massa sonora potente e bonita com as vozes do público e atores.
Era impossível não se emocionar durante as apresentações. Caetanear era uma brincadeira, um manifesto, um jogo, um carnaval, uma celebração!
*Parte das mídias exibidas neste blog pertence ao acervo do Teatro da Pedra.



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